O custo de implantação de uma instalação representa apenas uma parte do compromisso econômico assumido pelo proprietário de um empreendimento.
Depois da entrega, o sistema precisará ser inspecionado, mantido, reparado e, eventualmente, substituído. Se o projeto não considerar essas atividades, uma economia inicial pode se transformar em custos recorrentes durante anos.
Essa relação entre CAPEX e OPEX merece atenção desde a concepção do empreendimento.
Quando o acesso à manutenção não é previsto
Em edifícios com grandes alturas, é comum encontrar equipamentos e instalações posicionados em locais de difícil acesso.
Luminárias sobre espelhos d’água, sistemas de climatização em áreas elevadas e equipamentos instalados acima de forros sem passarelas ou pontos adequados de acesso são exemplos desse problema.
Quando chega o momento da manutenção, uma atividade relativamente simples pode exigir plataformas especiais, equipamentos de elevação, desmontagens ou procedimentos mais complexos.
Além do custo adicional, essas condições podem dificultar a manutenção preventiva e interferir na rotina dos ocupantes.
A instalação funciona, mas sua manutenção se torna mais cara e complexa do que precisava ser.
Quando investir um pouco mais facilita a operação
Em outro empreendimento, uma recepção com pé-direito equivalente a três pavimentos possuía numerosas luminárias instaladas em altura.
A solução adotada incluiu mecanismos que permitiam baixar as luminárias até uma posição acessível e alternativas de acesso por passarelas.
A implantação exigiu investimento adicional, mas criou condições mais favoráveis para a manutenção.
Não há dados disponíveis para quantificar a economia obtida nesse caso. O exemplo, porém, ilustra o princípio: a facilidade de acesso deve ser considerada na decisão de projeto, e não apenas quando surge a primeira necessidade de manutenção.
O que deve ser avaliado durante o projeto
Não existe uma solução única para todos os edifícios. A decisão depende da frequência de manutenção, da altura, do tipo de instalação, dos riscos envolvidos e das condições de operação.
Algumas perguntas ajudam a orientar a análise:
- Como os equipamentos serão inspecionados e mantidos?
- Será necessário interromper atividades ou isolar áreas ocupadas?
- O acesso exigirá plataformas, andaimes ou equipamentos especiais?
- Será preciso desmontar componentes para alcançar a instalação?
- Há alternativas de projeto que tornem a manutenção mais simples e segura?
- Qual será o efeito dessas escolhas sobre os custos ao longo da vida útil?
Essas perguntas também se aplicam a instalações de climatização, sistemas elétricos, sprinklers e outros equipamentos posicionados acima de forros ou em áreas de acesso restrito.
O papel da gestão de ativos
A análise de CAPEX não deveria se limitar ao custo de aquisição e instalação. Ela precisa considerar as condições em que o equipamento será operado durante sua vida útil.
Da mesma forma, o OPEX não deve ser tratado como uma consequência inevitável de um projeto já concluído. Parte dos custos operacionais é influenciada pelas decisões tomadas muito antes da entrada em funcionamento.
Integrar projeto, manutenção e gestão de ativos permite identificar oportunidades de melhoria ainda na fase em que as alternativas são mais fáceis de avaliar.
O objetivo não é investir mais em todas as situações. É investir de forma criteriosa, considerando os efeitos da decisão sobre segurança, acessibilidade, manutenção e continuidade operacional.
Um bom projeto não é apenas aquele que permite instalar um sistema. É aquele que também permite mantê-lo de forma segura, eficiente e economicamente racional.
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